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| Maria do Socorro Fernandes de Carvalho – “O Livro antes do Livro: Os Discursos Laudatórios como Exórdio das Antologias Poéticas Seiscentistas” |
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Resumo: Os discursos preambulares compõem a adequação do livro, evidenciando o gênero da obra. Funcionam como exórdio, pois captam a disposição do público. Na poesia e na tratadística do Seiscentos, prólogos, cartas ao leitor, licenças, privilégios, dedicatórias, discursos encomiásticos e títulos promovem boa disposição e atenção no leitor ou ouvinte, promovendo valor e autoridade.
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| Alamir Aquino Corrêa – “O Não-ser da Morte e de Deus na Poesia de Lêdo Ivo” |
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Resumo: A morte e Deus parecem ser fundamentais em A noite misteriosa (1982) de Lêdo Ivo. Na confluência dos pensamentos trazidos à luz da lua, agredidos pela obsessão aterrorizante da noite, a vida sobrestá a morte, quando evidencia-se a certeza da felicidade através do não-ser da morte; neste momento delicado, aparentemente Deus também deixa de ser para não-ser, pois as coisas simplesmente manifestam-se, apenas e totalmente vida. O poeta acaba por demonstrar a existência de Deus pelo seu não-ser, entrega-se à vida, não carpediemente, pelo prazer de viver apesar do heideggeriano ser-para-a-morte. Há uma nítida consciência do dilema vida morte e deus/homem, que se mostra sobretudo pela negação/afirmação, não só pela razão mas também pelo valor da emoção em descompasso com a lógica.
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| Armando Gens – “O Poema como Peça de Exposição” |
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Resumo: Entre 1870 e 1900, o grande destaque concedido ao olhar orientou a construção do discurso urbano e se estendeu aos quadros da poesia brasileira para, sob o patrocínio de um conjunto de preceitos, instaurar uma poética compromissada com a materialização. Tamanho foi o desejo de representar uma idéia através de uma imagem concreta e visível, que os poetas não hesitaram em acionar uma variada rede metafórica referente, em especial, às artes plásticas, nem em realizar algumas experiências no âmbito das artes gráficas. A partir de tais constatações, este trabalho busca explicitar, com base em uma dimensão retórico-discursiva, os diferentes modos pelos quais poemas e perfis de poetas incorporaram imagens concretas com a clara intenção de esbater as fronteiras entre ler/ver e escrever/mostrar.
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| Celina Maria Moreira de Mello – “Viagem a Citera, Travessias Poéticas” |
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Resumo: Neste ensaio dissertamos sobre a gênese do poema de Baudelaire, “Uma viagem a Citera”, em uma perspectiva sócio-histórica, discursiva e inter-semiótica. O poema inscreve-se em uma rede de textos de poetas da Boêmia do Doyenné, que associam telas e temas do pintor Watteau à melancolia e à morte. No espaço da criação poética, compartilhado por pintores e poetas, funda-se uma nova academia que confere a Watteau um valor alegórico. O poema de Baudelaire, “Uma viagem a Citera”, não constitui uma transposição do quadro homônimo de Watteau, conforme a estética da “fraternidade das artes”, marcando entretanto o mesmo posicionamento anti-acadêmico no campo literário. O trabalho de pesquisa de fontes foi realizado na Fundação Biblioteca Nacional, com apoio do CNPq.
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