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Dom, 05 de Setembro de 2010
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Total de Palavras
Mayara Ribeiro Guimarães - Clarice Lispector: por uma poética do erro 3289
Resumo: Avaliação do projeto estético elaborado por Clarice Lispector em A paixão segundo G.H. e concretizado em Água viva, fundamentado no diálogo entre pintura e música, no anti-convencionalismo literário, no rebaixamento do poético, na mistura de gêneros e na explicitação do procedimento poético, de modo que a expressão lingüística seja apresentada como problema e objeto de procura do sujeito. Nesse movimento, a reflexão arma o movimento do pensamento sobre si e aponta o paradoxo da tradição literária moderna: a reflexão é ao mesmo tempo caminho para realização do poético e seu empecilho, processo que recupera o diálogo com o Romantismo alemão a partir do movimento de dobra do pensamento sobre si por meio da imaginação e do sentimento, e culmina na Modernidade Literária do século XX.
Ida Maria Santos Ferreira Alves (UFF) - Encontros e desencontros críticos com a modernidade na poesia portuguesa contemporânea 2204
Resumo: Trata-se de apresentar na poesia portuguesa do final do século XX uma perspectiva acentuadamente crítica das práticas diversas que forjaram a modernidade estética portuguesa, estabelecendo-se escritas inquietas e insubmissas. Com um discurso de confronto para compreensão dos mecanismos da tradição e com uma prática de deslocamento das linguagens dominantes, poetas como Joaquim Manuel Magalhães, João Miguel Fernandes Jorge, Nuno Júdice e Adília Lopes dialogam na tensão entre presente e passado cultural, sacralização e dessacralização da poesia, entre a cultura de língua portuguesa e a cultura globalizada e massificadora, interrogando na própria prática do poema o lugar crítico da poesia no mundo contemporâneo.
Wilson José Flores Jr. - Fragmentos de uma subjetividade poética: três poemas de amor de Libertinagem, de Manuel Bandeira 3760
Resumo: O livro Libertinagem ocupa sabidamente lugar de destaque na obra de Manuel Bandeira. Entre os procedimentos característicos à arte moderna presentes no livro, destaca-se a auto-referencialidade. Neste trabalho, são analisados alguns pontos de articulação entre os poemas “Porquinho-da-índia”, “Teresa” e “Madrigal tão engraçadinho”. A inter-relação entre o discurso amoroso e a perda do objeto amado, nesses poemas, afigura-se como uma possibilidade de exploração do espaço ocupado pelo sujeito poético, permitindo discutir alguns dos sentidos que memória e infância adquirem nesse que é o momento de “cristalização” do estilo poético de Bandeira, bem como chegar nalguma compreensão da sociabilidade vivida na contraditória modernidade brasileira, que esses poemas de alguma maneira encarnam.
Enivalda Nunes Freitas e Souza (UFU) - O imaginário do céu e do inferno em Carlos Drummond de Andrade 3528
Resumo: Em “Casamento do céu e do inferno”, Drummond desenvolve uma postura de união dos contrastes, permeada pela ironia e humorismo que lhe são peculiares. Anjos, diabo, escadas, virgens e São Pedro transitam pelo poema do céu à terra e da terra ao céu num cenário em que São Pedro negligencia suas funções e o diabo não tira o olho das ações humanas. Por sua vez, o homem também se afasta de Deus e celebra a união da carne com a carne. Neste aspecto, relacionar este poema com “O matrimônio do céu e do inferno”, de William Blake, pode ser enriquecedor. Uma vez desvendado o imaginário deste poema, pretende-se conjugá-lo ao ideário estético do Modernismo e sua atitude de consagração das formas dissonantes. Vale antecipar que, no poema, quem tem o ouvido afiado é o diabo.
Éverton Barbosa Correia (UNICAMP) - A musicalidade flamenca de João Cabral 3031
Resumo: Dado que poesia de João Cabral de Melo Neto se constituiu como uma das mais significativas da literatura brasileira, interessa distinguir no contexto da modernidade como a dialética do localismo versus cosmopolitismo se processa naquela obra, produzida em larga medida na Espanha e cuja tematização comporta simultaneamente elementos de nacionalidade e de universalismo. Daí cumpre investigar como se manifesta tal contradição, considerando a musicalidade dos poemas que tematizam o flamenco – expressão da Andaluzia -, coligidos no livro Museu de tudo. A partir do diálogo que os poemas estabelecem entre si, espero chegar numa compreensão particular da obra, já que a rítmica ali em curso traz elementos da cultura popular hispânica que servem aos princípios de composição do poeta brasileiro.
Débora Racy Soares (UNICAMP) - O Ornitólogo e a Arapuca: Notas sobre A Palavra Cerzida e Grupo Escolar de Cacaso 3266
Resumo: Quando convocado a se definir como poeta, Cacaso (1944-1987) teria dito que era poeta que escuta. Tal atitude poética certamente resulta em um tipo de poesia aberta à experiência alheia. Até aí parece não haver muita novidade, pois a disponibilidade para ouvir combina bem com uma outra, a de “espírito”, que Cacaso acreditava ser mesmo imprescindível à criação artística. Mas se ambas as disponibilidades podem se confundir, em determinado momento, uma nem sempre implica a outra. Em outras palavras: nem sempre quem ouve consente. E se quem cala, sente, Cacaso – apesar de, aparentemente, “não querer prosa” - apostava na força vital do diálogo para reavivar o monólogo oficial. Nossa proposta é escutar sua trajetória poética, dando ouvidos a um modo muito peculiar de fazer versos.
Antônio Donizeti Pires (UNESP/Araraquara) - Poema em Prosa e Modernidade Lírica 3204
Resumo: Este trabalho pretende refletir sobre a história, a teoria, a crítica e a prática do poema em prosa, cujos primeiros esboços se delineiam no Romantismo alemão. Contudo, é no âmbito da literatura francesa que o poema em prosa adquire foros de legitimidade, quando então se caracteriza como modalidade poética transgressora e revolucionária, em compasso com a própria noção de modernidade lírica e fazendo jus, mesmo, à época prosaica que o viu nascer. Sendo, sobretudo, ritmo e imagem, analogia e ironia (nos termos de Octavio Paz), o poema em prosa contribuiu para uma nova consciência e para um novo estatuto do poético, na França e alhures.
Angélica Maria Santos Soares (UFRJ) - Por uma compreensão poética da memória (Adélia Prado e Astrid Cabral) 2874
Resumo: Reflexões sobre a memória e o discurso literário memorialístico em diálogo com poemas selecionados de Adélia Prado e Astrid Cabral que, se constituindo como metamemória, desvelam a natureza ilimitável da memória; tornando improcedente fragmentar o tempo em momentos estanques; demarcar fronteiras entre percepção e imaginação, realidade e ficção; limitar o sujeito da recordação a uma concepção fechada. Imagens adelianas de O coração disparado remetem para a indestrutibilidade do que se constrói pela memória e para o seu sentido simbólico e comemorativo. Em Lição de Alice, Cabral recria humanos pré-sentimentos apontando para a mobilidade temporal, o caráter inventivo e a ação geradora da memória. Nessas obras, surpreendem-se proustianos signos sensíveis da memória, edificantes do re-cordar.

Textopoetico (ISSN 1808-5385), volume 4, 2007

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