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Dom, 05 de Setembro de 2010
Início Vol. 6 (2009 - 1º Sem.)
Volume 6 (2009- 1º Sem.) - Sumário PDF Imprimir E-mail

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Editorial: “Novos lances sobre o texto poético”
Antônio Donizeti PIRES & Solange Fiuza Cardoso YOKOZAWA

“Modernidade, futuro e progresso em Arthur Rimbaud”
Adalberto Luis VICENTE
RESUMO: Tomando como referência a última parte de Une saison en enfer e, sobretudo, a “Segunda carta do vidente”, endereçada a Paul Demeny, este artigo pretende discutir de que modo a poética de Rimbaud contribui para incluir nas discussões sobre a modernidade conceitos como o novo, o progresso e a crença no futuro, antecipando, assim, questões que serão fundamentais para compreender a modernidade do século XX. (Total de palavras: 3.036)

“Florescem as rosas bravas simbolistas: Notas sobre a poesia de Camilo Pessanha & leitura de um soneto”
Antônio Donizeti PIRES
RESUMO: Num primeiro momento, este ensaio tece algumas considerações sobre o Simbolismo em Portugal, enfatizando suas conexões com o Modernismo posterior. Em seguida, apresenta criticamente a obra do poeta Camilo Pessanha (1867-1926), estudando suas características principais e modos de construção. Ao final, detém-se na análise do soneto “Floriram por engano as rosas bravas”. (Total de palavras: 11.889)

“João José Cochofel e a recusa do imaginário simbolista/decadentista”
Chimena Barros da GAMA
REUSMO: O trabalho ora apresentado objetiva a análise de composições de Sol de Agosto, do poeta coimbrão João José Cochofel, a fim de refletir sobre seu diálogo com a poética do Simbolismo/Decadentismo português e de outros países como a França. Livro importante para a poesia lusitana, surgido no início dos anos 40, pouca crítica (embora com nomes de peso como Eduardo Lourenço e Fernando Guimarães) atenta para o fato de que a lírica de Cochofel rompe com resquícios do lirismo simbolista em voga ainda no século XX (bem como com a eloquência presencista). O fato é que o autor foi membro do grupo neo-realista português, e fatores problemáticos surgem quando se pensa na poesia de uma tendência literária tão engajada. Porém, Cochofel, exatamente ao afirmar sua lírica do concreto e baseada nos sentidos, e ao negar o imaginário simbolista/decadentista, consegue ser o maior poeta da vertente, excedendo os limites do discurso teórico, crítico e literário do grupo ao qual pertenceu. (Total de palavras: 6.072)

“‘Tua memória, pasto de poesia’: Configurações da memória em Carlos Drummond de Andrade”
Solange Fiuza Cardoso YOKOZAWA
RESUMO: Os mitos pretéritos constituem um dos principais núcleos de criação da poesia de Carlos Drummond de Andrade. Presente em toda a obra do poeta, desde o livro de estreia, Alguma poesia, até a publicação póstuma Farewell, o passado torna-se eixo nuclear em três volumes publicados nas décadas de 60 e 70: Boitempo I (1968), Menino antigo (Boitempo II, 1973) e Esquecer para lembrar (Boitempo III, 1979), mais tarde conhecidos como série Boitempo. Mas os poemas memoriais não representam um bloco homogêneo. Ao longo do itinerário poético drummondiano, a exumação do pretérito e a sua recriação em poesia assumem inflexões bastante diversas, as quais estão em consonância com mudanças que se processam no projeto estético do autor. Segue essas diferentes modulações uma reflexão crítica sobre os conteúdos de representação mnemônica e sobre a própria linguagem, numa atitude crítica que está na base da poesia de Drummond e da literatura moderna de um modo geral. Este artigo acompanha modulações da memória drummondiana em três momentos: o de Alguma poesia, aquele que se manifesta na poesia mais estritamente social de A rosa do povo e o da série Boitempo. (Total de palavras: 5.936)

“João Cabral, leitor de Natividade Saldanha”
Éverton Barbosa CORREIA
RESUMO: Em 1949, João Cabral de Melo Neto escreve uma carta a Manuel Bandeira em que revela o desejo de “desenterrar” José da Natividade Saldanha – poeta, publicista e político envolvido na Confederação do Equador. Quando publicado, o livro A escola das facas (1980) trouxe uma composição intitulada “Um poeta pernambucano” que descrevia a vida do patriota liberal oitocentista.  A partir daí, passa a ser curioso que um poeta tão avesso a especulações biográficas tenha se empenhado em esmiuçar a vida de outro, com fortes marcas históricas vinculadas à sua existência e à sua produção literária. Refletindo sobre a obra do outro poeta, João Cabral encontra um correspondente formal que serve para analisar um percurso histórico que interessa aos seus princípios de composição, porque cerradamente encravado na história brasileira e na biografia de um sujeito, com quem não deixa de se identificar. (Total de palavras: 3.662)

“A genealogia do amor em Hilda Hilst”
Enivalda Nunes Freitas e SOUZA
RESUMO: Em Cantares, Hilda Hilst dedica-se à construção da imagem do amor: amante e amado raramente se encontram e sempre se desencontram reencenando os ritos amorosos que os homens sonharam e que os mitos e os poemas perpetuaram. Para o desenvolvimento desse tema, este artigo ancora-se nos mitos platônicos, Eros e sua genealogia complexa e os andróginos desafortunados, reveladores da contingência amorosa que se desdobra e metamorfoseia progressivamente no testemunho da busca infindável de um gozo jamais fruído. (Total de palavras: 3.977)

“Uma questão de hora e lugar: O amor que não dá certo em Beijo na boca de Cacaso”
Débora Racy SOARES
RESUMO: O objetivo deste artigo é refletir sobre alguns versos de Beijo na boca (1975) de Antônio Carlos de Brito, o Cacaso. Em um primeiro momento, partiremos de algumas de suas canções para entender a concepção de amor que figura neste livro. Depois, pensaremos como o amor e a ironia estão articulados para fundar o desencontro amoroso. (Total de palavras: 2.470)

“O roubo do silêncio e as razões da poesia a caminho: Breves considerações sobre um poema de Marcos Siscar”
Diana Junkes Martha TONETO
RESUMO: Este texto pretende tecer alguns comentários sobre “Poesia a caminho”, de Marcos Siscar, publicado em O roubo do silêncio, destacando, em especial, a articulação entre o caráter metalinguístico do texto, que explora os limites entre prosa e poesia, e o lirismo memorialístico que dele emana, os quais, tensionados, engendram a poesia em ação no poema. (Total de palavras: 4.355)

Textopoetico (ISSN 1808-5385), volume 6, 2009 - 1º Semestre

Está disponível em www.textopoetico.org


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